Esse era o nome de um texto, em inglês, que adaptávamos para o teatro, numa outra vida, que agora me parece tão distante. Na tradução: Devaneio. Porém, como a própria tradutora, diretora e atriz da peça (e minha amiga), tentava explicar, essa era apenas a palavra mais próxima que conseguiram encontrar para exprimir, dentro do contexto da obra, o que seria bliss.
Talvez agora, eu tenha, finalmente, entendido. O tal do bliss seria, para a língua inglesa, como a nossa palavra saudade. Que por mais que se chegue perto do seu significado em outras línguas, não haveria palavra capaz de definir exatamente o que é, para quem o vivencia na língua original.
Seria uma espécie de júbilo sútil. Um micro satori ocidental. Uma alegria que se equilibra sobre um fio de teia de aranha. Um suspiro leve que percorre todo corpo em silêncio. Um brilho sem razão no olhar. Uma pequena borboleta pousada no dedo, que levanta voo no primeira prenúncio de movimento da mão.
O bliss oscila entre a tensão e o relaxamento. Entre a imobilidade e a entrega.
A palavra mais adequada encontrada, em nosso bom e velho português, para usarmos na texto em questão, foi devaneio. Mas, o bliss vai além imaginar. É necessário sentir. Não é um processo racional. Não há lógica no bliss. É um estado de espírito inexplicável.
É como se, de repente, sem motivo concreto, simplesmente, bliss…
Ou, não bliss…
Eu não sabia na época, mas aquele tempo, bliss…
Assisti a uma peça – “Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César”, com Paulo José e sua filha Ana Kuerten – que chega muito perto de mostrar o que é “bliss”. Ana C., como costumava assinar seus textos, vivia em busca do bliss, de uma forma até obsessiva. Não sei como ainda não peguei algo dela para ler, porque fiquei fascinada depois de assistir à peça! Fascinada pela An C., por esse sentimento – bliss. A atuação incrível de Ana Kuerten no papel da escritora ajudou, claro. Fora a presença do maravilhoso Paulo José. Realizei um sonho vendo-o ao vivo e a cores! Incrível como algumas coisas marcam tanto, né…
Bliss – Letargia, êxtase, delírio… sem dúvida uma palavra usada em tantos contextos que a tradução é dificultada sempre – http://marginoblog.wordpress.com/2010/03/09/bliss/ – lembra?
Um brinde em taças de cristal…
é o tal do pássaro azul. toda uma jornada, para perceber que ele pode estar ali…