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hoje não estou para poesia
só para o café
com a barriga
encostada na pia
hoje não estou para poesia
só para o cigarro
fumado
sentada no chão da cozinha
eu e a minha própria companhia
nesse verão cinza,
da chuva fina,
só o silêncio…
11 quarta-feira jan 2012
Posted in apenas palavras, poesia
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hoje não estou para poesia
só para o café
com a barriga
encostada na pia
hoje não estou para poesia
só para o cigarro
fumado
sentada no chão da cozinha
eu e a minha própria companhia
nesse verão cinza,
da chuva fina,
só o silêncio…
27 quarta-feira mai 2009
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Guardar
Antonio Cícero
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em um cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
21 sábado mar 2009
Posted in apenas palavras, colombina
Em resposta ao comentário de Retido :
Na quarta- feira, a colombina , solitária, tira do cabelo o último confete. O carnaval passou sem que encontrasse o pierrot das canções. O carnaval passou. Mais um que simplesmente passa…
O carnaval passou. E o que vem depois, é só cinza…
18 quarta-feira mar 2009
Posted in apenas palavras, poesia
Eu sou o palhaço da festa
Sou a diversão da noite
E o espetáculo já começou
Arranco dos olhares atentos, a tristeza
Ponho nas faces, o sorriso
Sou a alegria do momento
Sou o palhaço da festa
E para a platéia,
É só o que sou
Tudo, caros espectadores,
Em mim, é graça
É de graça
O único preço,
Quem paga, sou eu
Eu sou o palhaço da festa
Senhoras e senhores
Tudo é riso
Nada é sério
Até minha desgraça
Faz parte do show
Eu sou o palhaço da festa
E para a platéia,
É só o que sou
Enquanto há diversão,
Guardo pra mim
Uma tristeza árida
Pois palhaço que é palhaço
Só chora de mentira
Para não desmanchar a pintura
Que esconde a pessoa que existe
Por trás da palhaçada
Eu sou o palhaço da festa
Sou a diversão da noite
E o espetáculo terminou …
07 sábado mar 2009
Posted in apenas palavras, poesia
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Lapa de novo, noite estranha, preferi entrar no meu universo paralelo (duas cervejas e eu, querendo, já estou lá) e escrevi isso na minha cabeça. Como sempre, perdoem o meu péssimo inglês e não se acanhem em corrigir o que for preciso.
Go to home , girl
And sleep
Dream with another life
Another people
Another place
Go to home
You want one alternative universe
Here, just confused and slow cars on the full streets
And one drunk fight in the another side
Go to home, girl
That the alcohol don’t let your mind
In the high tonight
And the city light´s are cold and sad
Go to home
And dream
Stay in the arms of Morpheus
Where the touch is soft
Go to home
And let the man with sand
Kiss your lips
Deeply
Go to home, girl
But your bus is late
Go to home
You cross the bridge
And your bed call you
Go to home, girl
The sun born behind the silver clouds …
11 quarta-feira fev 2009
Posted in arte, cult, literatura, poesia
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Allan Poe, animação, comic, ficção, humor negro, Lenore, poesia, Roman Dirge

Uma homenagem a um dos meus personagens prediletos. A garotinha fofa aí de cima é uma criação de Roman Dirge, inspirada no poema homônimo de Edgar Allan Poe. As desventuras da menina morta são recheadas de humor negro, envolvendo personagens bonitinhos em um universo macabro.
Abaixo o poema original de Poe :
LENORE
Ah, broken is the golden bowl! the spirit flown forever!
Let the bell toll!- a saintly soul floats on the Stygian river;
And, Guy de Vere, hast thou no tear?- weep now or nevermore!
See! on yon drear and rigid bier low lies thy love, Lenore!
Come! let the burial rite be read- the funeral song be sung!-
An anthem for the queenliest dead that ever died so young-
A dirge for her the doubly dead in that she died so young.
“Wretches! ye loved her for her wealth and hated her for her pride,
And when she fell in feeble health, ye blessed her- that she died!
How shall the ritual, then, be read?- the requiem how be sung
By you- by yours, the evil eye,- by yours, the slanderous tongue
That did to death the innocence that died, and died so young?”
Peccavimus; but rave not thus! and let a Sabbath song
Go up to God so solemnly the dead may feel no wrong.
The sweet Lenore hath “gone before,” with Hope, that flew beside,
Leaving thee wild for the dear child that should have been thy
bride.
For her, the fair and debonair, that now so lowly lies,
The life upon her yellow hair but not within her eyes
The life still there, upon her hair- the death upon her eyes.
“Avaunt! avaunt! from fiends below, the indignant ghost is riven-
From Hell unto a high estate far up within the Heaven-
From grief and groan, to a golden throne, beside the King of
Heaven!
Let no bell toll, then,- lest her soul, amid its hallowed mirth,
Should catch the note as it doth float up from the damned Earth!
And I!- to-night my heart is light!- no dirge will I upraise,
But waft the angel on her flight with a Paean of old days!”
E aqui os 3 primeiros episódios da série de animação feita pra tv:
29 quinta-feira jan 2009
Posted in apenas palavras, literatura, poesia
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Stupid girl
The life is not a fairy tale
No have happy end to you
No romantic scenes
Stupid girl
Your matinné fantasy is a bad screenplay
No perfect man
No dances in to the room
Stupid girl
The reality is hard
But is true
Wake up stupid girl
Just find what you can touch
No more dreams
No more fantasy
No more ilusions
Wake up stupid girl
Wake up now
You are a woman
Wake up now
You are a woman
You are a stupid woman now
Ps: perdoem os possíveis erros de quem tem um inglês ruim.
29 segunda-feira dez 2008
Posted in apenas palavras, poesia
Eu sou do povo que fala português
Do povo que não tem meio
Ou está no alto firmamento,
Ou está no fundo abissal
Seja no Brasil,Portugal, Angola ou Macau
Este povo que não tem terra
Navegando em saudades
Festejando entre estrelas
Eu sou desse povo de língua portuguesa
Que se mistura aqui e acolá
Entre negros, índios e orientais
E mesmo assim sente saudade
Estando em casa
Por não estar no mundo
Sente saudade em viagem
Pelo lar que deixou
Todos nós queríamos ser dois
Ser três , ser cem , ser um milhão
Para estar aqui
Para estar lá
Para estar em todo lugar
Onde o coração deixou pedaço
Todos nós queríamos a onipresença
Mas se a tivéssemos,
Não teríamos carnaval na chegada
Nem fado na partida
Não teríamos esta alma maldita e bendita
Que nos faz ser assim
No Brasil,Portugal, Angola ou Macau
ps: eu não sei pontuar poesia. Só aprendi a usar …
28 domingo dez 2008
Posted in apenas palavras, música, poesia
Bom dia.Boa tarde.Boa noite.
Estou aqui para ouvir sua reclamação
Faltou luz
Não tem água
Deu defeito na televisão
O telefone está mudo
A conta é um absurdo
O caixa eletrônico engoliu o cartão
Estou aqui para ouvir sua reclamação
Escuto suas queixas
Só falo nas deixas
Um script decorado
Sempre falo obrigado
E por favor,
Não sou um robô
Mas não tenho para quem ligar
Ninguém para me confessar
Entre o ‘sim, senhor’ e o ‘sim,senhora’
‘Mais um momento’ , agora,
‘Por gentileza’ ,
Ouça o que não posso dizer
Estou aqui para ouvir a sua reclamação
Do gás encanado
Do provedor de internet
Do aparelho queimado que comprou na liquidação
Mas não tenho para quem ligar
Ninguém quem eu possa xingar
Quando dá tudo errado
Nem para quem pedir informação
Eu não tenho para quem ligar
Ninguém para me confessar
Entre o ‘sim, senhor’ e o ‘sim,senhora’
‘Mais um momento’ , agora,
‘Por gentileza’ ,
Ouça o que não posso dizer
Bom dia. Boa tarde.Boa noite.
Eu agradeço a sua compreensão.
10 quarta-feira dez 2008
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Em homenagem a um passado recém reencontrado, uma letra do fundo baú:
Canta
Deixa eu ouvir sua voz
Triste, pulsando em meu peito
Quero escutar tua canção
Mergulhar na tua solidão
E me perder por querer
Canta
Mais uma única vez
E me diz
Por que as coisas tem que ser assim
Por que tudo tem que dar errado
Lacrado no peito a sofrer
Deixa eu ouvir tua voz
Teu canto belo é choro
É grito que sufocou
Tão triste…
Que não adianta chorar
Não há mais lágrimas para molhar
O que aconteceu
E deixou marca
Que você se orgulha em mostrar
Que você não quer tirar
Pois é só tua
Tua tristeza é só tua
Tua dor é só tua
Você não pode abandonar
Por isso canta
Deixa todos verem
Como é bela a tua tristeza
A cicatriz no teu coração
Canta
Não há mais o que fazer
Você já se acostumou
É tua maneira de viver
Não há mais nada para você
Além da tua dor
E da tua voz