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Já que eu andei escrevendo sobre a língua daqui e de além mar, um texto antigo, de junho de 2005 onde  mergulho mais fundo:

 

Alçar velas ! O timão livre . Vamos zarpar rumo à qualquer lugar . “Navegar é preciso ” . Navegar é viver . Quero encontrar o paraíso perdido . A Atlântida mítica . Desbravar os sete mares como corsário . Embriagada e livre . À mercê dos ventos . Cercada pelo infinito de azuis, dourados e verdes . Levantar âncoras ! Vamos partir!
Mas meus pés criaram raízes fortes nas profundezas da terra.Não posso sair . E minha alma é assombrada pelos navegantes do passado. Joãos e Manuéis que deixaram o Porto para não mais voltar . Cujos corpos foram salgados na escuridão das águas pelas lágrimas das Marias e Manuelas que ficaram esperando seu retorno . Sou atormentada por antigos guerreiros de ébano, suas esposa e seus filhos, nativos da mãe negra. Cujo sangue, vindo do inferno dos porões, manchou de vermelho o oceano.
Não consigo partir . A melancolia lusitana e o banzo africano me levariam pro fundo mais rápido que as âncoras de cem navios. Ficarei aqui, até que as amarras sejam desfeitas e as trancas abertas . O mar me chama,eu sei . Mas ainda tenho que esperar . O mar me chama , suas ondas molham minhas raízes mas eu não posso sair à procura do meu Éden esquecido. O mar me chama . Outra navio zarpa . Quem sabe, no próximo …