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II

Acordei com o sol de meio dia batendo na minha cara.”Por que não fechei as cortinas?” E, sozinha. A noite não foi tão boa assim…Tomei um antiácido e voltei pra cama. Era domingo. E domingo é pior que segunda. Aquelas pessoas sorridentes passeando tranquilas, as familias de comercial de margarina e os casaisinhos apaixonados dos anúncios de chocolate. Domingo é puro marketing. Um dia em que todos agem como se estivessem na frente de câmeras. Como se a vida fosse um eterno happy end. Sem contar a tenebro9sa programação da tv. Um castigo para os que não vivem a fantasia domingueira.

Por volta das sete meu celular tocou. Era o Marcos . Tinha um povo reunido na casa de não-sei-quem. Anotei o endereço e tomei um banho rápido e fui. O não- sei-quem dono da casa era um professor gay afetadíssimo, conhecido na faculdade como a devoradora de calouros. A casa estava cheia. Todos já meio bêbados e eu era uma das poucas mulheres no local. Havia o povo do babado, uma meia dúzia de drogadinhos conhecidos e alguns novatos que a devoradora tentava manter sob seus domínios. E o pior que conseguia. O intelecto é uma arma e tanto quando a idade já levou sua beleza embora. Vou ter que me lembrar  disso quando tiver quarenta e quiser seduzir menininhos de dezoito… Marcos me apresentou ao anfitrião como sendo sua irmã. “Irmã ?” Nem tinha reparado o quanto éramos fisicamente parecidos.

– Gêmea . – Marcos completou – Eu não consegui decidir quem seria o mais velho – disse ao meu ouvido.

– Tem todos os seus gens , Marquinhos ? – a devoradora perguntou  assim, explicando sem explicar. Mas eu entendi muito bem o que queria dizer.

– Todos. E outros … – meu recém irmão gêmeo respondeu com malícia.

O professor me deu um abraço forte :

– Grande família. Imagino como sejam seus pais…

Eu dei um risinho sem graça e inventei que iria buscar uma bebida e voltava. Não inventei de todo, pois fui realmente atrás de álcool só que não pretendia voltar. Marcos foi comigo. Não resisti e alfinetei:

– Marquinhos ?

– Eu era um calouro ingênuo.

– Pelo que o professor disse, não tão ingênuo assim.

– Mulheres nunca ?

– Sempre.

-Homens ?

-Também.

 Meu irmãozinho não valia nada. E a-d-o-r-e-i isso. O Marcos me apresentou  o lado louco do curso de letras e, também um pessoalzinho de artes. Acabei salvando um calouro gracinha das garras da devoradora .  Arrastei o bonitinho pra minha cama. O Marcos ficou lá. Muito ocupado, por sinal, com uma dessas electro-moderninhas de cabelo colorido e bijoux de plástico. Já o meu novato, mostrou que sabia muito mais do que aparentava…

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