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O carnaval chegando , eu pensando numa fantasia legal e barata para ir à um evento do trabalho e , de repente, me deu uma vontade de reler um post antigo, de uma outra vida.

O texto me fez lembrar de saudades quase esquecidas.

Para que entendam o que estou dizendo:

28/02/2003 14:13

O post de hoje está meio grandinho.É mais um fruto da inspiração da madrugada.
Mas vocês terão alguns dias de feriado para ler.

Carnaval

Podem me chamar de esnobe, a verdade é que eu odeio carnaval.Pelo menos o carnaval de hoje em dia.
Em compensação, na minha infância em Friburgo, eu adorava carnaval.Lembro que vestia uma saia rodada da minha avó paterna, que tinha ser presa com um cinto para não cair, amarrava um pano qualquer num cabo de vassoura e ficava no quintal, girando até ficar tonta de imitar uma porta-bandeira.Ou então me fantasiava.Já fui bailarina, havaiana, cigana e odalisca, essa última a minha preferida.E ia toda feliz, pintada de purpurina para os bailinhos da associação de moradores do bairro, para festa da escola, para as matinês do Clube Xadrez e até mesmo para o carnaval de rua que ocupava o centro da cidade com bandas que tocavam a noite interia musicas de outras épocas.Mesmo sem nunca ter aprendido a sambar eu era uma animação só.
Nessa época a festa do Rei Momo era importante para mim por outros motivos.A cidade, quase sempre calma e silenciosa, recebia turistas e mais turistas e eu sempre fazia amizade com os de fora.Havia um clima de novidade no ar.
No carnaval, a minha casa também, como nos outros feriados, recebia seus visitantes.Meu pai, minha mãe e minha irmã mais nova que subiam a serra cheios de saudade, novidades e disposição para encarar passeios e festinhas infantis.Um ano meu pai pegou uma roupa velha e ultracolorida da minha avó, amarrou um lenço na cabeça e saiu com o Bloco das Piranhas e eu o estranhei quando veio falar conosco e comecei a chorar.Foi muito engraçado, mas acho que meu pai ficou traumatizado pois nunca mais saiu no bloco.Coisas de carnaval…
No carnaval tudo é muito passageiro. Depois de quase uma semana de folia tudo volta ao normal, tudo é esquecido como os amigos forasteiros de quem não lembro mais nem o nome.Passaram como os blocos e as escolas de samba.Passaram como o meu gosto pelo carnaval.Quem sabe, se um dia o carnaval voltar a ser como no passado, com a inocência dos pierrôs e colombinas, do confete e serpentina, dos blocos de sujo com instrumentos de lata, eu recupere a meu entusiasmo de foliã.
Se algum dia esse carnaval voltar e tomar o lugar da festa atual de baixarias e vulgaridades, da violência e intolerância, pode ser que eu me vista de novo de musa das mil e uma noites e saia por aí brincando e trocando olhares protegida pelo véu dos mistérios e o anonimato sadio das máscaras.Enquanto isso não acontece, me escondo esses dias em casa com filmes alugados e guloseimas de preparo rápido.Não quero nem saber de carnaval.
Agora não estou mais na amena Friburgo e sim em Niterói, uma cidade amedrontada pelas demonstrações de violência dos últimos tempos, ocorridas principalmente na sua vizinha famosa. Não tenho mais a vó para costurar minhas fantasias na última hora, nem o pai para me assustar travestido de “piranha”.Minha irmã mais nova está casada, assim como a mais velha, e tem uma linda e filhinha e não pode mais me acompanhar nas matinês.Eu mesma não posso mais ir à matinê. Infelizmente cresci.Em casa nesse carnaval, serão só eu, minha mãe e o videocassete.O tempo passou.Aqueles carnavais são passado.E mesmo estando à toa na vida, não tenho um amor para me chamar para ver a banda passar. Porque a banda não passa mais e ninguém mais canta coisas de amor.

 

 

 

Ps: já naquela época eu tinha problemas para utilizar pontuação que não fosse …

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