Nesse domingo vazio. Os olhos embaçados pela lágrima resistente que se recusa a rolar, a seguir seu curso. Na garganta uma pedra amarga, como um paralelepípedo de gritos condensados. Vidinha idiota. Eu queria ser estúpida e insensível. Eu queria ser fútil. Só estes não se importam. Só estes encontram a felicidade. Eu queria muito ser como essas pessoas. Fazer parte desta massa eternamente anestesiada. Não sentir nada deve ser uma benção. Não sentir dor…

Se eu conseguisse parar de pensar um pouquinho, talvez eu deixasse de perceber o quanto a minha vida é vazia. O quanto sou confusa. Pararia de procurar meu lugar no mundo. Pararia de refetir sobre a minha existência…

Se eu conseguisse parar de pensar…

Até minhas lágrimas hesitam. Não sei se são resistentes ou se, de fato, são covardes. Fracas. Como meu silêncio. Como o sorriso que ostento para não vomitar o emaranhado de sofrimento que carrego dentro de mim. Arames farpados que me ferem o tempo todo.

E me desculpem se estou sendo dramática. Mas, eu precisava me livrar de algumas gramas dessa dor.  Amanhã a vida continua e eu preciso voltar pro meu papel. Eu preciso dizer que está tudo bem…

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