era isso, mas talvez não era. Quer dizer, isso é uma idéia, mas é um esboço na forma… mais um texto escrito sem muito cuidado…

Até meus treze anos, vivi na serra, num bairro de casinhas parecidas, encrustado numa montanha , ou colina ( minhas noções de geografia não são das melhores ) no meio da zona rural. Na  vista da frente, outras verdes colinas e ao fundo,  ficava um bosque de eucaliptos. Do outro lado da montanha, na parte que não tinha casas, ficava uma cachoeira, que era vista da estrada para quem ia para cidade vizinha. Era uma paisagem tão bonita que,às vezes, dava até tristeza de olhar. E lá naquele canto escondido, num tempo antes dos celulares, das privatizações da teles, da internet, das portabilidades e outras maravilhas tecnólogicas, telefone era coisa muito, muito rara, e cara. Pouquíssimos eram os privilegiados que possuíam o aparelhinho, que na época, também não era tão inho assim. E a minha casa, como a maioria do bairro, passava os dias sem a interrupção constante dos triiins. Quando a necessidade de dizer alô era grande, nos virávamos com um dos dois orelhões comunitários ou, contávamos com a gentileza de um vizinho abastado.

Dessa forma, cresci sem telefone. Qualquer combinação com as amigas de colégio era feita mesmo no recreio ou no final das aulas. Durante as férias, geralmente, nos comunicávamos por carta. Primeiro eram os cartões de boas festas e , em seguida, as novidades das viagens. Antes que as aulas voltassem, vez ou outra, marcávamos um encontro para por a fofoca em dia.

Depois que vim para cá, para esta cidade cuja vista para a capital, como dizem os mais maldosos  vizinhos de baía,  é o que temos de melhor ( tão bonita que também dá uma tristeza…), continuei com esse hábito. Eu aqui e minhas amigas lá. Interurbano era muito despendioso. As saudades eram assassinadas via papel. De semana em semana, cartas iam e cartas chegavam. Toda vez que voltava da rua, procurava, por baixo da porta ou em cima da mesa, as minhas estimadas cartinhas.  O tempo foi passando, as cartas ralentando e com o tempo, pararam de ir e vir. Veio o e-mail, o orkut e o messenger . De tempos em tempos falo, ou melhor : teclo, como minhas amizades de escola, em tempo real. Mas continuo sentindo falta das cartas. De abrir o envelope. De ler e depois guardar, como guardei todas que recebi.

As cartas tem uma magia que envolve espera ou surpresa. Que envolve dedicação ao escrever. Numa carta se escreve de vez, seja  um resumo,ou um desabafo emocionado.

Por crescer sem chamadas, o telefone para mim, é para o imediato, para o urgente e prático. Ou para para tirar, do ouvido, qualquer saudade que tenha de alguma voz…

Assim, sinto falta do capricho da letra ou do garrancho corrido. Eu sinto falta de ansiar por respostas…

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