E ela observava uma formiga passeando pelo piso de pedra. Entre uma baforada e outra. Numa pausa das chateações de um trabalho chato. Observava aquele serzinho frágil e insignificante. Sua vida, ali, por onde tantos pés distraídos tocavam, poderia ser seifada a qualquer instante. Então ela se sentiu aquela formiga, insignificante e frágil. Não, ela se sentiu ainda menor que a formiga, que dentro do formigueiro, por mais operária que seja, possuía um propósito, uma missão. E ela pensou no nada. No nada que sua vida representava. Na falta de objetivos e na falta de conquistas. Quem era ela? O que era ela? Ela não sabia responder. Não conseguia encontrar algo que pudesse compensar todo o resto. Não havia nada de realmente ruim. Nenhum drama pessoal, nenhuma tragédia. Mas, também não havia nada de excepcional, nada de bom. No balanço da sua vida, não havia nada. Era apenas mais uma alma desgarrada, perdida. Que fazia seu trabalho, pagava suas contas e quando podia, buscava momentos fulgazes de diversão superficial. Nada de menos e nada demais. Nada. Às vezes, ela escrevia… Mas também não era nada de especial, como todo o resto. Ela se sentiu menor que a formiga, pois o peso que carregava, ao contrário do minúsculo inseto, era uma peso invisível, que não se media em balança. O peso que carregava era o peso do vácuo. Era o peso do nada…

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