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É dia. A colombina troca seu traje de foliã pela chita interiorana. Se prepara para um folguedo sem márcaras e sem graça… Uma festa sem momos e bailarinas. Sem tamborim e serpentina. Uma festa sem pierrot. A colombina já nem sabe se pierrot ainda é pierrot. Se pierrot quer ser pierrot. Ou se tudo não passou de fantasia que virará cinzas, em uma fogueira qualquer.
A colombina substitui, para esta noite, o gorro, seus pompons ,os guizos e brilhos, pela palha e tranças falsas. Pela estampa colorida. Mas a colombina está desbotada. Há muito tempo espera o carnaval. Há muito tempo procura o pierrot. E este pierrot distante ainda é o pierrot de seus delírios de baile. Ela o mantem em suas ilusões, pois precisa acreditar que ainda há fantasia…
Ela retira, lentamente, sua maquiagem. Vai encarnar, momentaneamente, outro papel. Porém deixa, disfarçada, sob o chapéu de aba larga e as pintinhas de mentira, logo abaixo do olho, uma lágrima de purpurina…
Ela ainda é colombina. E espera…

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