E ela tem um brilho perdido no olhar. Um brilho que só a dúvida é capaz de criar. Ela é uma imensidão de interrogações. Três décadas como promessa de algo, que ela nunca soube ao certo, do que. Promessa. Ser promessa é como não ser o que poderia ter sido. Ser promessa é não ser nada de verdade. Ela tentou, sem muito afinco, ser um monte de coisas. Não se dedicou por muito tempo à nada. Nenhuma profissão. Nenhum diploma. Nenhuma família que possa chamar de sua. Nenhuma grande história de amor. Nada que possa constar como ítem significante em sua biografia. Nada. Apenas promessas… Ela agora ganha um pouco de dinheiro num trabalho tedioso e escreve nas horas vagas. Ela escreve. Essa, talvez, seja a única coisa que a defina de verdade. Para muitos, um fato irrelevante, mas para ela, é o que mais importa. Ela escreve, e por isso vive…

Anúncios