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Na janela do apartamento, ela fuma um cigarro como sempre. Observa, do alto, uma madrugada semi silênciosa. Ela pensa que poderia ser diferente. Ser outra. Ela, às vezes, se cansa de ser colombina. Diz pra si mesma que não vai mais acreditar em pierrôs, nem em unicórnios. Que vai abster-se das reticências… Ela quer se livrar da maquiagem, do camafeu e badulaques. Lanternas, lampiões e poesias. Quer se livrar da fantasia.
Nessas horas vazias, eu quero deixar de ser ela e deixar de ser colombina.
Mas, elas são eu…
Como as reticências, os badulaques e a fantasia.
Se acredito em pierrôs e unicórnios, a culpa é deste camafeu que bate em meu peito. Que se abre para o mundo como se todo dia fosse carnaval. Como se tudo fosse beleza e poesia…
E eu sou elas…

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