Reticências são cacos de vidro
Difíceis de engolir
Silêncios ferem meus ouvidos
Estouram meus tímpanos
Mas como boa atriz
Com o sangue escorrendo pelas orelhas
Ouço minhas deixas
E com a garganta ferida
Digo as minhas falas

Se não gosta do que lê
Não leia
Eu sou solitária
E, às vezes, triste
Se não gosta do que lê
Não leia
Eu preciso escrever o que não grito
Transformar em drama exagerado
Os alfinetes do dia à dia
Carregar nos tons escuros
Nas imagens que crio
Para que eu fique em branco
Quando amanhecer
Se não gosta do que lê
Não leia
Sem minhas palavras
Eu não consigo manter o sorriso
Nem a alma leve
Esta é a minha purificação
Minha catarse de toda a madrugada
Se não gosta do que lê
Não leia
Eu sou solitária
E hoje, acordei triste
Quem nunca chorou sozinho no escuro
Que esfregue sua felicidade eterna na minha cara
Ou me indique o caminho…

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