Somos muitos, uma multidão
De corações partidos e magoados
Que seguem batendo sem razão

Em ritmo lento, atravessados
Milhões de tristes surdos
No final da quarta-feira
E em todos os outros dias
Depois do carnaval

Mas seguimos batendo
Seguimos pulsando
Fazemos o sangue circular

Somos muitos,uma multidão
Que não transformam dor em amargura
Que não perdem a esperança

Milhões de foliões sem armadura
Que fazem da descrença,uma fantasia
Do cinismo um samba enredo
Zombamos da insensiblidade
E da apatia criamos brinquedo

Seguimos batendo
Seguimos pulsando
Fazemos o sangue circular

Milhões de arlequins, pierrôs e colombinas
Que fingem,com nada,se importar
Que fingem seguir as regras de um jogo frio

Exaustos, mas perseverantes
Esperamos nos reconhecer em qualquer esquina
E encontrar um motivo para acelerar

Seguimos batendo
Seguimos pulsando
Seguimos querendo
Seguimos amando
Mesmo que seja a idéia de amar…

Sobre esse texto: a idéia era essa, mas acho que ainda não é isso. É quase isso… quase…
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