Tem horas que eu penso em desistir de você.Mas desistir pra valer. Não essa resignação que esconde alguma esperança. Desistir mesmo. Para sempre. Aceitar que eu não faço o seu tipo e, no máximo, você me quer na sua cama para matar seu desejo e curiosidade,num momento em que não houver mais ninguém disponível.

Aceitar que a amizade que eu também tanto estimo, não está fluindo.E que nossas conversas interessantes não ocorrem há muito tempo. Aceitar, que talvez, agora, fosse mais fácil esquecer, já que nossos horários estão desencontrados.

Desistir radicalmente. Te excluir dos meus contatos. Assim não teria como acompanhar sua vida à distância. Não saberia dos seus altos e baixos. Não ficaria feliz pelas suas vitórias, nem sofreria por não conseguir te apoiar quando mais precisa. Muito menos, ficaria tentando decifrar cada frase postada, cada música adicionada. Buscando sinais onde não tem. Porque, com você, eu sempre acho que entendo tudo errado. E mesmo assim, distorço interpretações por culpa dessa esperança teimosa que insisto em manter.

É, eu penso em desistir. Mas toda vez que penso, desisto de desistir. Como se ainda não fosse a hora. Como se fosse tudo uma questão de tempo.

E estranhamente tudo fica mais leve…

Eu digo pra mim mesma:

“Relaxa,baby e flui : barquinho na correnteza, Deus dará”
Caio Fernando Abreu

E assim, tudo, estranhamente,fica mais leve.
Como se, ao conviver com a certeza do nada, passasse a perceber qualquer detalhe, como um ganho.
Como se, ao iniciar uma partida considerada perdida, eu me deixasse levar apenas pelo prazer do jogo.

Não sei se estou certa ou errada. Só você,  para me dizer.

Mas se vier com insinuações de novo, é bom estar preparado.
Eu te amo e não sou correspondida. Nada me impede de aproveitar a oportunidade para ter, nem que seja um beijo roubado, como recordação.

Desisto de desistir. Mas, até quando?

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