E quando você troca do dia pela noite  por muito tempo, você se acostuma com o silêncio da madrugada, à andar pelos cômodos escuros, a vagar feito fantasma enquanto todos dormem.

Então a sobrinha tem sede e, quase que dormindo, diz: “Tia, traz água.”

Então você se lembra, que a casa tem vida depois que o sol nasce. Que você não é uma assombração despercebida. Você se lembra que a luz brilha forte quando acorda.

Você lembra que há vida…

Ou melhor, que há duas. Uma quieta e reflexiva, que você vive apenas consigo mesma e com outras almas insones com quem se comunica. E outra, povoada e, simplesmente, corrida…

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