Sabe,o foda disso tudo,é essa sensação de que, entre a gente, poderia rolar uma coisa legal. Claro,que também há a grande possibilidade de que não desse em nada. E, sei lá, fica essa sensação de que poderia ser bom.
Mas, como saber?
Estraguei tudo no momento em que me apaixonei por você.
Eu, que já sou calejada em sentimentos não correspondidos, quis me antecipar à rejeição, com a idéia de que, quanto antes isso acontecesse, mais rápido teria um ponto final. Seria então, capítulo encerrado e página virada.
Tola fui eu. Me enganei.
Estraguei tudo mostrando logo todas as cartas, antes mesmo que nos sentássemos à mesa. Joguei-as sobre o pano verde, sem que você tivesse tempo de mostrar as que tinha nas mãos.
Os bons jogadores, precisam do desafio. Não entram em partidas já vencidas. E eu entreguei à você, sem que pedisse, todos os meus ases, todo o meu naipe de copas.
Eu acabei com o encanto.
Sempre fui esquisita mesmo. Tranco em segredo o que não preciso e exponho demais, quando deveria fazer mistério.
Eu estraguei tudo, me desculpe.
Talvez, depois disso, eu aprenda alguma coisa. Aprenda a ser um pouco como todo mundo. Porque eu ainda não sei.
E tenho a consciência que a minha falta de habilidade em lidar comigo mesma botou tudo a perder. E que deixei que cicatrizes passadas ora virassem espinhos que impediam alguma aproximação, ora se abrissem em fendas extensas, exibindo, de uma só vez e de maneiras tortas, o que deveria se mostrado aos poucos.
Eu estraguei tudo.
E é foda, é essa sensação de que poderia ser bacana. De que poderia ser bom…
Será que um dia saberemos?
Por hora, vou buscando graça no meu dia à dia.
E, implicando um pouco com você, só pra te tirar do sério…
Não deixa de ser uma forma de brincar…

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