O ruim não é gostar de você. O ruim é ter que fingir que não sinto nada. É estar ao seu lado e conter os gestos de afeto. Evitar seus olhos para dificultar a denúncia. É medir as palavras. É agir como se não me importasse, quando, na verdade, me importo. É tentar, em alguns momentos, ignorar sua presença e manter a mente longe. É ter que, a qualquer instante, me preparar mentalmente para a possibilidade de te ver em outros braços, sem poder me manifestar. É silenciar a saudade. E, mesmo quando está por perto, continuar sentindo falta. É não poder dizer o que digo agora e outras tantas coisas que gostaria de dizer, sem ser por aqui.

O ruim não é gostar de você. O ruim é ter que omitir o que sinto, em respeito à sua vontade, ao seu direito de recusa. E, para manter nossa amizade sem que eu traga, à você, algum incômodo.

Pior que ouvir um ‘não’, é essa minha convivência velada com tudo o que esse ‘não’ restringe.

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