o chão tenta,ao longe, se ajeitar
e o oceano entorna
algo físico químico escapole do concreto reforçado
e contamina,ao longe
muito longe…
e tem esse verso
“Sing with me, sing with me now”
se repetindo na minha cabeça
“Sing with me, sing with me now”
e de repente eu sou tão pequena
frente ao céu cinza
frente à chuva fina
e isso até que é bom
essa imensidão em volta
me acolhendo
“Sing with me, sing with me now”
mas aí tem instantes
que o dia fica com defeito
e dá uma raiva do cotidiano
que me faz ainda menor
e isso é ruim
frente às coisas menores
coisas práticas do dia-à-dia
me atrapalhando
“Sing with me, sing with me now”
mas tudo fica grande
e silencioso novamente
nas ruas molhadas e vazias da madrugada
e aí fico pequena e grande
sob as luzes amarelas dos postes
e o céu da noite
ligeiramente avermelhado
“Sing with me, sing with me now”
como se tudo voltasse ao seu lugar
meu chão se ajeita
sem derramamento
nada que possa me contaminar
“Sing with me, sing with me now”
e assim eu vou sem saber para onde vou
sempre sem bússola
sempre indo…
pequena e grande…
“Sing with me, sing with me now”

*verso de Going to Hell da Ida Maria

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