Uma paixão venenosa. Parecia ser dotada de uma ânsia que não sabia de quê. De exagero em exagero, foi se matando. Acho até que ela não procurava a morte em si. Racionalmente sabia que a encontraria. Mas essa sede de vida era maior e ela não soube como saciar. Se perdeu numa fuga (ou seria busca?) que a levou para o abismo.

O coração pode nos fazer caminhar, mas é a razão que nos mantém afastados dos precipícios. Se for pra mergulhar fundo em paixões trevosas, que o faça trajando o colete salva vidas da dignidade e do amor próprio. Se tiver que se dilacerar, que o faça em arte e não com a própria carne. Pois a decadência real, não tem nada de beleza, nem de poesia. É apenas triste e um tanto patética para quem assiste.

Como poderá destinar amor à alguém, quem não tem amor por si mesmo? Favor não confundir amor com dependência. Tudo que vira vício, por melhor que seja, inverte negativamente o seu valor. A dor de amor até existe. E que atire as primeiras lágrimas não derramadas quem nunca a sentiu. Mas é uma dor diferente. Que por mais que doe e machuque, te fortalece e até mesmo te inspira. Faz evoluir. Amplia horizontes. Te ensina. Já a dor do viciado afetivo, só abre buracos na alma, cada vez mais fundos. O amor, mesmo ruim, tem seus méritos. O vício no outro não. É apenas um vício e isso já diz tudo.

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