Enquanto fumava um cigarro com sabor de pólvora, pois não localizava meu isqueiro.

Meus pensamentos, tem hora, que passam como no instante antes de dormir. Rápidos, vestígios que não consigo capturar para saber o que são, antes que se percam na câmera lenta do sonho. Mas, até mesmo esses pensamentos perdidos, são encontrados dentro uma razão ilógica, que só eu mesma entendo, sem precisar entender. Só não descobri ainda, como fazer com os sentimentos perdidos. E não estou falando desses, que se perdem da gente quando precisam ir embora. Estou falando dos que se perdem dentro da gente. Como um palácio imenso, que por algum motivo, a visão te incomoda. Então, depois de um esforço enorme, você camufla a construção inteira com alguém trancado lá dentro. E, onde se via um palácio, agora se enxerga um lago calmo. Que você só lembra que não é um lago, quando caminha em sua suposta margem e ao invés de terra, sente sob os pés, o calçamento de pedras. Ou ainda, quando dá esbarrões dolorosos em muralhas invisíveis. O problema com castelos camuflados é: Como achá-los? Como entrar para poder reformá-los? Como transformá-los em uma outra coisa? Como fazer deles uma coisa diferente? É não ter como reconstruí-los. Nem poder escancarar seus portões e dizer para quem está lá dentro: “Que já pode sair…”

Amanhã, compro sem falta, outro isqueiro. Assim, resolvo a questão do gosto ruim.

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