Já que eu já quebrei tantas promessas ditas e escritas, vamos à mais um “Recado ao Sr. Iluminado”

Após o fim do que nunca começou.

Alguma reflexão.

Enquanto conversava com um amigo, ao te observar a distância, percebi que ao contrário do que sempre imaginei, você nunca olhou ou sentiu por mim o que eu gostaria, não pelas razões, que  por um bom tempo acreditei, mas por razões inversas.

Explico: Se sempre achei que foram nossas diferenças que me tornaram uma pessoa sem atrativos para você, uma pessoa não desejada.  Hoje, eu percebi que não.

De modos diferentes, somos iguais. Acostumados às nossas solidões, à nossa zona de conforto. Até nos aventuramos a buscar companhias, que normalmente, se revelam  fulgazes, coisas de momento.  Buscamos, também, algum caso impossível para nos fazer sentir  algo  mais intenso, para nos trazer a sensação de estarmos vivos. Mas,  no fim das contas, estamos apegados às nossas solidões. Não porque somos egoístas. Eu não posso afirmar se você, mas eu, eu divido minhas alegrias com facilidade.  O que essa nova reflexão me levou a crer, é que somos possessivos com nossas dores e angústias.  Com nossas tristezas. Não queremos dividir nossas fragilidades. E,   por termos,  na solidão, a segurança que nossos pontos fracos não serão revelados, sempre fomos incompatíveis.  Vejo isso agora tão claro.  Antes,  eu não pude perceber.

Eu sou assim, tenho tendência  à acreditar no melhor. Da mesma forma que você se protege, não ligando para nada, seguindo uma filosofia que é um misto de hedonismo e de sobrevivência pela força/esperteza,  nessa selva chamada mundo, eu me protejo esperando o melhor de todos, acreditando no impossível. Foi assim que eu me tornei a porra louca que sempre vê algo de bom. Que está sempre disposta a ajudar. E, ainda assim, arredia, mantendo uma parte de mim bem trancada.  E  você, ganhou sua dose de cinismo e aparente inconsequência.

Mas, eu não estou aqui para te julgar. Cada um sabe como se mantem de pé nessa vida louca.  Só estou escrevendo isso, para registrar essa minha dedução, após o fim do que nunca começou. E,  para te deixar um conselho, mesmo não tendo certeza, se neste caso, eu teria reputação para  aconselhar.

Aproveite esses anos a menos que você tem,  se comparado à mim, de solidão por insegurança, para abandoná-la. Arrisque-se a se entregar. Desacostume-se à solidão. Não vai ser simples. E nem posso garantir que dará certo logo de cara. Mas tente. Persista.  Mesmo depois depois da guarda baixada e do coração ferido, continue. Pois, conforme o tempo passa, deixar velhos hábitos vai ficando mais difícil. Faça isso, para você não seja como eu…

Ps: antes que mal entendidos se estabeleçam, por mais engraçado que foi saber da sua teoria,  amigos irmãos, por mais pierrots que sejam, não são pierrots aos olhos da Colombina. Não da minha.

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