Nesta madrugada de quase verão, em que o vento traz consigo o frio vasto do oceano, a Colombina, enquanto aquece o ar soprando fumaça, tenta entender, entre uma baforada e outra, como ainda mantém essa crença otimista de que poderá ter o afeto de alguém. De que, em algum momento encontrará, não um arlequim, não um pierrot qualquer, mas um pierrot que, mesmo que apenas por algum tempo, esteja ao seu lado. O otimismo dessa  Colombina, não tem razão, nem lógica.  Ela não se conforma com essa existência preenchida, quase em sua totalidade, de solidão. Ela não entende que o mais provável é que essa seja sua sina. Deve haver alguma estatística estranha, que indique que algumas pessoas serão eternamente solitárias. E que ela, desconfio, faça parte dessa porcentagem. Mas, mesmo sabendo que é só mais uma das suas ilusões otimistas de Colombina, ela contraria as probabilidades e continua acreditando, que é possível, neste mundo, a existência de seu destinado pierrot.
A Colombina nunca aprendeu matemática direito…

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