Esse era o nome de um texto, em inglês, que adaptávamos para o teatro, numa outra vida, que agora me parece tão distante. Na tradução: Devaneio. Porém, como a própria tradutora, diretora e atriz da peça (e minha amiga), tentava explicar, essa era apenas a palavra mais próxima que conseguiram encontrar para exprimir, dentro do contexto da obra, o que seria bliss.

Talvez agora, eu tenha, finalmente, entendido. O tal do bliss seria, para a língua inglesa, como a nossa palavra saudade. Que por mais que se chegue perto do seu significado em outras línguas, não haveria palavra capaz de definir exatamente o que é, para quem o vivencia na língua original.

Seria uma espécie de júbilo sútil. Um micro satori ocidental. Uma alegria  que se equilibra sobre um fio de teia de aranha.  Um suspiro leve que percorre todo corpo em silêncio. Um brilho sem razão no olhar.  Uma pequena borboleta pousada no dedo, que levanta voo no primeira prenúncio de movimento da mão.

O bliss oscila entre a tensão e o relaxamento. Entre a imobilidade e a entrega.

A palavra mais adequada encontrada, em nosso bom e velho português, para usarmos na texto em questão, foi devaneio. Mas, o bliss vai além imaginar. É necessário sentir. Não é um processo racional. Não há lógica no bliss. É um estado de espírito inexplicável.

É como se, de repente, sem motivo concreto, simplesmente, bliss

Ou, não bliss

Eu não sabia na época, mas aquele tempo, bliss

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