Há esse calor, esse verão que ainda demora a acabar. E as madrugadas correm, como se o Sol desejasse logo invadir as janelas. Os pensamentos passam rápidos e superficiais, como se não quisessem tocar os sentimentos que se encontram nas profundezas desse oceano chamado eu. É uma sensação de começo, mas sem a empolgação da novidade. É preciso criar. É preciso inventar. É preciso se reinventar. Achar espaço nesses dias espremidos, para descobrir. Descobrir algo que não sei o que é, mas que pode transformar o que está sendo coberto pela poeira, dar movimento ao que parece enraizado. É preciso caminhar. Ir adiante. Reorganizar as idéias. Reescrever. É preciso preparar a terra fértil da mente, para plantar as sementes da próxima estação. Um copo d’água. Uma xícara de café. Alguns cigarros. Uma mexida no cabelo. Uma olhada demorada no céu estrelado. Olhar para o céu, isso é essencial. Botar os pés no chão também. Fechar os olhos e se olhar por dentro, é imprescindível. É preciso respirar fundo. É preciso suspirar. É preciso inspirar. Fazer brotar a inspiração. É preciso deixar os pensamentos mergulharem, criarem torvelinhos e revirarem as areias sentimentais das regiões abissais. É preciso perceber o calor dessas madrugadas curtas e saber dizer ao Sol que não é preciso invadir, basta apenas entrar. É preciso se empolgar para fazer surgir a real novidade. É preciso reescrever… Escrever sempre é preciso…

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