Eu gosto de chuva. Das finas que parecem cair em câmera lenta, das insistentes que duram dias, que deixam tudo cinza e úmido. Das que pegam a gente de surpresa no meio do caminho e que param em seguida, logo depois de nos molhar. E, tem ainda, as chuvas com sol, dessas que fazem um rastro colorido por entre as nuvens, só para nos arrancar um sorriso.

Gosto do cheiro da terra molhando. Gosto da sensação de ar limpo depois que a chuva vai embora. Gosto sentir as gotas frescas cobrindo meu corpo. E,  gosto ainda mais dos relâmpagos. Um fascínio que vem da infância, de quando eu morava na montanha e ficava na janela observando as teias de luz cortando o céu. Para,  em seguida, sentir os vidros vibrarem pelo som dos trovões.

Eu gosto de chuva. E, gosto mais ainda, das tempestades.

A tempestade é a catarse da natureza. É o momento em que natureza grita, esperneia,  chora e se derrama com toda a sua força para se purificar. E, a partir desse momento de beleza e caos, ela se renova.  É depois da tempestade, que o céu fica mais azul e que as cores parecem mais vivas.

Todos nos temos nosso caos interior. Todos nós temos no peito a energia de mil raios e na garganta o som de mil trovões.

Devemos nos permitir chover, lavar a alma e deixar que nossa própria força nos faça renascer…

E eu gosto de chuva…

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