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Aqui nestas bandas tropicais não tem neve. O fim de ano se anuncia com nuvens carregadas e temporais de verão. Músicas natalinas em volume ensurdecedor preenchem as lojas, assim como pessoas apressadas comprando bugigangas. Elas não tem tempo. Um tempo que me sobra nesta quase prisão domiciliar à espera de uma encomenda atrasada, que pode chegar a qualquer momento. Deixo-me levar pelo clichê das retrospectivas e faço o meu balanço pessoal. Este foi um ano que aprendi a ter coragem. Pra viver (o que é bem diferente de sobreviver) é preciso ter coragem. Coragem pra vencer medos bobos, como o de transitar em duas rodas lado a lado com carros. Coragem pra abandonar o que não já satisfaz. Coragem pra ser feliz.

Para ser feliz, é preciso ter muita coragem. Não tem coisa mais assustadora que a felicidade. Pra poder vivê-la plenamente é preciso se livrar de temores e se entregar sem hesitações. É como uma névoa quentinha e perfumada que te envolve, a qual você deve respirá-la, sentí-la tranquilamente. E é preciso acompanhar seu ritmo, seu tempo. É uma névoa que está em toda parte e que só percebemos quando fazemos parte dela, para que ela possa fazer parte de nós. Se entregar à felicidade é se entregar ao invisível. Daí, vem o maior ato de coragem. Em um mundo onde todos anseiam o que é palpável, a felicidade, essa coisa abstrata, demanda algo que muitos não conseguem sequer imaginar. E basta a coragem pra ser feliz, para que os outros medos fiquem menores. A vida então fica mais simples, mais plena e ao mesmo tempo mais encantada.

Na minha retrospectiva pessoal, posso dizer que este foi um ano de coragem, felicidade e, por último e mais importante, amor. Ah, amor… Esse amor sentido, dito e, antes de tudo, vivido. Esse amor inexplicável que fez de mim corajosa…

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