A tarde avança a ponto de se acender a luz da cozinha. Um dia acinzentado, enevoado como alguns ânimos que encontrei pelo caminho. A tela do celular avariada (por dentes caninos) me fez buscar as páginas (em celulose) de um livro de mistério durante os meus trajetos e minhas esperas. Quantos trajetos cabem em algumas horas? Quantas esperas cabem num dia? O céu nublado não me assusta. Meu humor segue inabalável. Sigo esperando por novidades, por dias melhores. Sigo por trajetos e esperas…

Esperança…

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Frases aleatórias sobre uma noite que já é madrugada

Boa noite, madrugada!

Os carros dormem no estacionamento

Os gatos sem dono passeiam pelo pátio do condomínio

Algumas estrelas tímidas brilham discretamente no céu horas antes nublado

Por uma ou outra janela com luzes coloridas se percebe televisões insones

Ruídos distantes de algum veículo sonâmbulo

O ronco do cachorro escapa por baixo da porta do quarto ao lado

Na cozinha, apenas o respirar da geladeira e o soprar suave da fumaça do cigarro

Na minha mente, os sons e as cores virando palavras

A brisa entra de mansinho pela área de serviço

A madrugada me desejando boa noite

Será que o escurecer é o sonho da manhã?

Será que a lua e as estrelas são fantasias que a tarde cria enquanto dorme?

A brisa entra novamente pela área de serviço

“Boa noite”

Vou dormir…

Vou acordar…

Desculpe a frieza

Mas, não quero estar por perto quando vier a queda. Nem posso mais me preocupar em como você está. Estou me refazendo, me reconstruindo, não vou poder juntar seus cacos quando você estiver quebrado. O tombo que pressinto é feio e não demorará muito pra ocorrer. A rasteira virá de onde você menos espera e eu não posso mais cuidar de você. Eu tô cuidando de mim, entende? Não posso mais perder minha paz, nem meu sono por você. Eu não posso e nem vou sofrer por tabela pelas escolhas que você fez. A queda virá. Eu até queria estar enganada, mas a queda virá. E eu não tenho mais como tentar te tirar do seus labirintos, pois eu estou saindo dos meus. Eu não posso juntar os seus pedaços, pois a cola que tenho estou usando nos meus. Desculpe a frieza, mas cada um tem suas próprias sementes pra regar. Eu conheço bem as minhas e estou cuidando delas como eu posso. Mas, também conheço as suas. Não quero fazer parte do que você vai colher… Desculpe a frieza. Mas, de coração partido, eu só tô podendo cuidar do meu. Não quero saber quando o seu se estilhaçar…

Eu espero que você fique bem, mas não vou poder te ajudar.

Desejo ao menos, que dessa vez não digam mentiras a seu respeito, como disseram do que veio antes de você. Certas acusações falsas podem virar tragédia dependendo de quem as escuta…

Não leve a mal. De verdade, espero que você fique bem mas, desculpe a frieza, prefiro não estar por perto quando seu sonho acabar.

sobre sexto sentido

A Colombina não gosta de estar sempre com razão. Mas, como maldição, ela enxerga as entrelinhas, tem intuições que dificilmente estão erradas mesmo quando a Colombina gostaria que estivessem. Às vezes, ela até finge que não vê. Mas…

Que fique neste lugar registrado, pra quem sabe um dia ser consultado. O que antes já foi dito, agora aqui é repetido. Estejam todos avisados: que uma hora o chapéu não vai caber, isso se já não estiver cabendo…

Entendedores entenderão… Ou não…

Ou isso é apenas uma micro fábula sem sentido sobre sexto sentido e chapéus…

Ou alguma loucura do chapeleiro louco…

A Colombina não é Alice. Não vive no país das maravilhas…

A Colombina preferia ver, nas entrelinhas, os números da loteria. Pode ser que ela acerte um dia…

De qualquer forma, são apenas palavras…

A bicicleta verde ou o começo do fim

Eu devia ter ido embora quando aquela caixa grande chegou e ainda vivíamos naquele primeiro apartamento. Eu lembro muito bem. Quando aquela caixa chegou você não estava em casa e, ao entender do que se tratava, eu chorei. Você não sabe, mas eu chorei e não foi de alegria. Eu chorei prevendo o fim. Eu chorei ao perceber que a pessoa que eu amava era insensível a mim. Era incapaz de compreender, mesmo com tantos sinais óbvios, alguns até mesmo explícitos, o quanto aquela situação me deixava desconfortável. Eu chorei. Você não sabe, mas eu chorei ao perceber que quem eu amava incondicionalmente era incapaz de amar e admirar alguém que não fizesse parte do seu mundinho. Eu chorei por amar alguém que não entendia que o que é bom pra um, nem sempre é bom pro outro. Por amar alguém que não conseguiria amar quem fosse diferente. E eu sou e sempre fui diferente de você. Eu devia ter ido embora naquele dia. Tanta coisa poderia ter sido evitada. Tanto tempo que deixaria de ser desperdiçado. Eu me pergunto o que, além do amor que eu sentia, me manteve junto de você por anos depois que aquela caixa chegou.

Sabe as crises de pânico? O trânsito levava a culpa sozinho, quando sempre houve algo além e, provavelmente, mais forte. Eu sabia o tempo todo o motivo e por isso eu nunca segui o que você me sugeriu várias vezes. Eu não queria ouvir de um estranho, mesmo que fosse no sigilo de um consultório, que os episódios de pânico vinham da certeza que eu nunca seria quem você queria que eu fosse. E, me faria questionar o porquê de eu estar com você. Questionar o motivo de continuar amando alguém que não me amava como eu sou. Iria me fazer pensar se valia a pena eu querer continuar na sua vida. Porque eu estava sempre tentando fazer parte da sua vida. A história foi sempre essa. Não a nossa história e sim a sua história. Porque sempre foi tudo sobre você.

Enfim, eu devia ter ido embora quando aquela caixa grande chegou e eu chorei…

Ao menos, acho que aprendi a lição.

Aos poucos vou fazendo as pazes com o meu lugar. Por mais que eu me adapte as rotinas e obrigações diurnas, eu sou lua, talvez até mesmo uma estrela distante e desconhecida. De qualquer forma, eu sou da penumbra da noite ou do silêncio da madrugada. É quando tudo fica mais claro. Quando o pensamento flui e a inspiração me rodeia. Eu posso até me adaptar ao sol. E, reconheço que as cores e luzes do dia tem os seus encantos. Mas, a noite, a madrugada, ambas são o meu lar. Enquanto todos dormem, eu crio…

Azul de Abril

O cachorro acorda a Colombina com suas patinhas e latidos. Se pudesse falar, diria: “Desperta, Colombina! Acho que o céu está bonito. Descreve o azul pra mim?”

E a Colombina olha pro céu limpo de início de outono e diz: “Hoje o azul está mágico. De um tom que cantarola a esperança de novos tempos. Um azul que vibra dias melhores”.

O cachorro olha a Colombina com seus olhos de buldogue como se dissesse: “Sempre é um novo dia e cada dia pode ser melhor…”

Ele pega seu brinquedo de borracha e vai deitar no sofá da sala. Em questão de segundos está roncando os seus sonhos de cachorro.

A quase máquina do tempo

E a Colombina parece que voltou ao passado sem voltar. Na casa de sua mãe, agora sem sua mãe. As roupas, mesmo que guardadas em malas na falta ainda de um armário, já não significam temporariedade. Sua sobrinha, que antes era recém adolescente, agora é quase adulta. Pelo apartamento, os passinhos de um cachorro amigável que antes não havia. Os kilos perdidos nos últimos meses, as peças antigas que voltaram a caber, o retorno à escrita, antes deixada de lado, tudo dá a impressão que a Colombina voltou no tempo sem voltar. É igual, mas é diferente. A Colombina, de novo solitária, vai retomando a sua vida. Aos poucos, a Colombina vai se reencontrando com si mesma. E ela gosta do que vê…

Meu outro nome

Quase ao fim de um domingo cinza e preguiçoso, desses que a cortina transforma o dia em noite e a cama em ninho, depois de algumas sessões de ficção enlatada, a Colombina com coração de Pierrot, novamente solitária, pensa no que é. Na essência que carrega por dentro. Ela sente uma chama, uma força suave, uma faísca. Seu camafeu coração ainda está avariado, é verdade. Mas, mesmo assim, é o coração camafeu da Colombina. Nele cabe um universo inteiro e algumas dimensões. A Colombina está novamente solitária. E ainda que tenha algumas lágrimas escondidas pra derramar, mesmo que por muito tempo não se chamasse mais assim, ainda é e, talvez, nunca deixe de ser a Colombina.

E ela escreve a própria história…

13

A madrugada surge com um sono leve. Sexta-feira. Não me assustam as superstições. Nem esse semi silêncio preenchido pelo motor da geladeira ou pela TV de algum vizinho. Nem a escuridão da noite. Tenho mais medo desse meu coração teimoso que cisma em lembrar e da minha mente que se deixa levar pelo que ainda ocupa o meu peito. Escadas e gatos pretos são convites pra mim. O que me apavora é o que ainda sinto…

Não sei se foram as poucas horas de sono da última noite, se foi a frustração de mais uma entrevista que não deu em nada, se foi só cansaço. Mas, ao ouvir um gato miando alto no pátio do condomínio, senti o peito apertar e algumas lágrimas silenciosas rolarem… Um cigarro, um copo de coca cola e me convenço que é só tudo isso que escrevi. Não cogito o que não quero pensar a respeito. Amanhã será um novo dia de céu azul. Ou cinza. Não importa. Amanhã será um novo dia…

Da ponte vejo a baía. Gaivotas e mais gaivotas rodeando algum cardume. O trânsito flui enquanto a passageira ao meu lado lê algum romance bobo. Outros com os olhos vidrados nos celulares. Outros com olhos fechados. Alguns com os olhos sonolentos. Alguns apenas olham. Um céu de outono azul vívido coroa a paisagem. Mais um dia que começa. Vida que segue pra quem percebe e pra quem não percebe…

A vida…

Fiz a besteira de procurar saber de você. O que vi foi uma foto. Você bêbado, latinha na mão, cigarro na boca e um olhar perdido…

Onde está a felicidade que você foi procurar? Só quem não te conhece pra não perceber o quanto a alegria que estampa é artificial…

Onde está a felicidade que você foi procurar?

Não está nos seus olhos…

Tão perdidos…

Um dia acinzentado

Um gosto ruim na boca. Vou tentando me reconstruir. Mas, é como se a cada dia uma parte de mim morresse um pouco, pra renascer e morrer de novo. Seria mais fácil se ainda não houvesse amor. Seria mais fácil se eu conseguisse te odiar. Pois o ódio, ao contrário da mágoa, queima rápido. Vira cinzas. E das cinzas, como fênix eu renasceria. Mas não. É como o dia de hoje, nublado. Talvez, caia uma chuva fina, mas o céu continuará pesado e o ar abafado. Seria mais fácil se eu te odiasse e esse ódio se derramasse como tempestade, e olha que tem horas que você parece se esforçar pra isso. Mas, ainda não te odeio. Mesmo quando passo o dia deliberadamente tentando te odiar, vem a noite e os sonhos vêm pra me lembrar que no fundo eu ainda te amo. Sonhos bobos. Vou tratar de esquecê-los assim que eu acordar. Vou transformá-los em cinzas da memória pra poder criar novas lembranças. Vou esperar pelas tempestades. Vou renascer, se não for das cinzas, da lama como lotus. Vou reaprender a ser eu sem você. Vou regurgitar o amargo, pra poder novamente sentir algum sabor. Vou ser eu sem você. Vou ser apenas eu…

Homem troféu

O homem – troféu esboça um sorriso amarelo num click

No olhar, o metálico fosco de medalha já enferrujando

Como numa vitrine, tem exposto seu corpo, sua face, suas coisas

Como numa vitrine, tem exposta a sua intimidade de homem – troféu

O vazio de sua vida disposta

Sendo acompanhada

Por quem quiser

Por quem não quer

“Pobre homem – troféu”

É o que pensam os que o conhecem do tempo que era apenas homem

Pobre homem – troféu

Como troféu que é, em breve perde o posto para um troféu mais novo

Pobre homem – troféu

Quem enxugará suas lágrimas empoeiradas quando perceber que é só mais um?

Dead And Bloated

Essa noite eu sonhei com você. Você ia arrancar os dentes e estava triste. Ela havia ido embora.”Banguelas não ficam bem no instagram” ela havia te escrito numa mensagem. Havia um vidro separando eu e você e, pelo vidro, você me mostrava uma foto que ela enviou. Ao lado dela havia um rapaz bronzeado, segurando uma prancha de surf e com um sorriso digno de propaganda. Você chorava feito criança. Se afogava em lágrimas que eu não podia secar. Você batia no vidro, mas ele sequer rachava…

Acordei de novo com a batida marcada daquela música do Stone Temple Pilots na cabeça.

Ano do karma

A pele escamando depois da febre, me renovando de fora pra dentro. Da janela, observo a noite como gatos nas sacadas. Já é quase madrugada. Conto as estrelas que as luzes da cidade não ofuscaram. Eu não tenho ideia do que virá pela frente. Acho que eu nunca tive. Mas, nada disso importa. A fumaça rouca do cigarro se desfaz no ar. Por um instante eu sou a fumaça. Por um instante eu sou o ar. Estou aqui. Estou em qualquer lugar. Por um instante eu sou a noite. Sou o insone e a insônia. Sou o sonhador e o sonho. Sou as estrelas. Sou eu mesma antes de dormir. E, em algumas horas, serei a alvorada e o despertar.

E o mundo dá mais uma volta em si mesmo…

E eu não tenho ideia do que virá pela frente. Talvez, o pela frente nem exista. Talvez, seja tudo circular…

Eis que chega o fim

Lamento pelo que fomos ou pelo que achei que éramos. Lamento pelas lembranças boas. Lamento por todo resto. Mas, não sei se lamento o fim. Sabe, o medo faz a pessoas acreditarem nas coisas mais absurdas. O medo faz as pessoas agirem das piores formas sem se dar conta. E agora, repensando tudo desde o início, fica uma pontinha de dúvida se tudo não foi criado pelo seu medo de ficar sozinho. Fica uma pontinha de dúvida se a sua paixão por mim teve motivações além do medo de ter que escolher entre continuar num relacionamento ruim, que você mesmo admitiu ter começado porque estava solitário, traído e perdido ou ficar sozinho novamente. Fica uma pontinha de dúvida, sabe? Você se apaixonou por quem eu era ou se eu era a única disponível naquele momento para te livrar daquela situação? Nunca vou saber.

O problema do medo é que a pessoa cria mentiras para escapar do que mais teme e para poder conviver com isso, passa acreditar que elas são verdades. A verdade, a verdade nem sempre é bonita, mas é preciso encará-la de frente. A mais difícil, mas que também pode ser a mais recompensadora é encarar a própria verdade. É se enxergar nas qualidades e defeitos e antes de tudo se amar. O medo da solidão não é o medo de ficar sozinho. O medo da solidão é o medo de lidar com a própria companhia e ser ver como é. Mas, só se conhece de verdade quem aprende a ficar só. Só é possível aprender a se amar quando se tem somente a si para isso. Quem não se ama, não ama mais ninguém. Quem não se ama vai estar sempre procurando preencher um vazio com o outro, sendo que vazios internos, só nós mesmos podemos preencher.

Fico pensando há quanto tempo você vai de relacionamento do tipo tapa buraco à relacionamento do tipo tapa buraco. Há quanto tempo você não sabe como terminar e começar uma relação sem ter omissões, mentiras ou traições envolvidas? Há quanto tempo você não pode, realmente, ter a certeza que aquela pessoa é a pessoa certa? Que o sentimento que sente não tem como pano de fundo o medo de ficar sozinho? Talvez nunca tenha tido isso, a sensação de estar com alguém apenas pelo prazer de estar com alguém. Eu lamento por isso. Lamento mesmo. Eu sempre estive com você pelo prazer de estar com você e pelo amor que eu sentia. E só por isso. O medo de ficar sozinha nunca sequer foi cogitado. Eu gosto da minha companhia. Pessoas que são felizes de verdade gostam da própria companhia. Uma pena que alguém, que apesar de tudo tem tantas qualidades, tenha tanto medo de ficar com si mesmo, de conhecer a si mesmo e de se bastar. Você tiraria o fator medo da equação e entenderia o que é ser completo e livre. Viver com medo é muito ruim, ainda mais um medo tão profundo e complexo. Ter medo de si mesmo é ter que fugir do próprio reflexo e precisar que tenha sempre alguém entre você e o espelho. Eu lamento. Lamento muito.

Seja lá como você estiver, acompanhado ou sozinho, isso não tem mais importância pra mim, no fundo eu sei, que seja lá quem for que estiver com você, é só mais um salva vidas. Como eu fui ( por mais tempo, talvez) e como todas as outras que vieram antes de mim foram. E, talvez, todas as outras que virão. Você até pode não perceber, pode negar, mas seus relacionamentos se resumem a impedir que você fique sozinho e, pode ser, um pouquinho sobre sair da rotina. Mas, é basicamente isso.

Tivemos nossos momentos felizes, tenho que reconhecer. Você acreditava que me amava e eu por te amar, acreditava no seu amor desinteressado. Foi um período de ilusão bem vivida. Agradeço por esse período em que eu era inocente da realidade e era feliz. Vou guardar boas lembranças. E, apesar de você achar que eu sou um monstro maligno, continuo desejando o seu bem. Espero que um dia você possa se conhecer e, principalmente, se amar ainda mais do que eu te amei. Que você consiga preencher os seus próprios vazios e encontrar a felicidade. Sem mentiras e sem medo.

Desculpe-me

se a minha reação não é a esperada. Eu nem sei o que espera de mim. Eu nem sei o que esperar de mim mesma. Eu também não quero te pressionar a nada, mas também não sei o que vem pela frente.

Entenda, eu sou aquela das paixões platônicas, do coração sempre em pedaços, aquela que também já superou perdas importantes. Desculpe-me, mas a vida me calejou há muito tempo e, agora, eu estou onde eu sempre estive antes de te conhecer: no mesmo quarto da adolescência, distraindo minhas dores com ficções bobas, derramando palavras quando a garganta aperta e as lágrimas insistem em brotar. E fingindo que tudo está bem. É tudo tão familiar. Tenho medo de me acostumar novamente com quem eu era e da forma em que eu vivia…

Desculpe-me, eu não quero jogar mais pesos em suas costas, nem mais confusões na sua mente. Você não foi um caso impossível e idealizado, foi uma realidade em que vivi. Também não foi mais um dos musos intangíveis dos meus escritos, foi um amor. É o grande amor. E, eu ainda tô tentando entender como se supera um amor perdido. Paixões, eu já superei. Como disse, estou calejada. Mas amor, você é o primeiro e, talvez, por isso eu esteja tão perdida.

Desculpe-me, se a minha reação não é a esperada. Eu não sei o que espera de mim. Eu não sei o que esperar de mim mesma…

Sabe amor

se eu acreditasse em deuses, você estaria em minhas orações. Porque é tanto querer bem, tanto amor, que ainda transborda do peito, que chega a pedir um gesto, nem que seja simbólico e sem sentido, para se manifestar.

Sabe amor, eu não tenho raiva, nem rancor. Só a dor da ausência. A ausência, ao contrário da saudade, que sabe-se que um dia terá um fim, é um grande ponto de interrogação frio e triste que vai crescendo e ocupando todo o espaço ao redor.

Sabe amor, que ainda é amor. E, que por eu não saber mais o que faço com esse amor que eu escrevo. Às vezes, nem sei direito o que escrevo. Mas, escrevo assim mesmo, pra não deixar o amor minar, mofar por dentro do meu coração e embolorar nas curvas da ausência.

Sabe amor, não sei se você sabe, mas é que te amo tanto que nem sei…