Janeiro

Nesses dias chuvosos
Faço da cama um ninho
Enquanto o despertador não toca

Me abrigo em seus braços
E sonho
Um sonho aquecido
Onde durmo ao seu lado
Até o despertador tocar

Ao acordar
O sonho ainda está aqui
Um beijo de bom dia
E um café… 
Amor…

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Randoneiro

No asfalto,
Entre o mar e montanhas,
Você, a bicicleta e o desejo de chegar
Cada vez mais longe
Ir até aonde o corpo aguentar
Cada kilometro,
Cada reta,
Cada subida,
Cada curva,
Cada descida,
Numa prova
Onde todos vencem
A si mesmos
E levam pra vida
A superação

Você pedala,
E em algumas horas,
Irá ultrapassar a linha de chegada
E cada gota de suor,
Cada esforço físico,
Cada esforço mental,
Sempre valerá a pena

Você pedala
E eu aguardo seu retorno
Feliz e orgulhosa
Por você ir até aonde conseguir alcançar

Você pedala
E, com saudade
Na torcida,
Espero você voltar…

A vida que levo

Oh, Colombina que não é Colombina!
Teu Pierrot é mais que qualquer Pierrot já sonhado por ti
Tem estrelas na pele
Música no olhar
E asas nos pés
Que o levam para passeios distantes
Mas que sempre o trazem de volta

Ah, Colombina!
Que a vida é melhor que seus antigos devaneios!
É uma dança a dois e improvisada
Ao som de guitarras e campainhas de bicicletas
Divertida e bela
Uma aventura doce
Entre paredes ou sob o céu
Café e chocolate
Gatos dormindo sobre seus pés
Um cachorro tocando uma canção

Ah, Colombina que não é Colombina!
Seu Pierrot tem o coração gigante
Ainda bem que em seu camafeu cabe o universo
Cabe o coração do Pierrot
As constelações de sua pele
Suas rotas
Suas notas musicais

Ah, Colombina!
Como posso te escrever,
Se o que vivo é tão mais belo
Que qualquer conto de carnaval?

48 horas

Esta deveria ser a medida mínima do dia. Que as 24 normais são tão atribuladas, tão corridas, que precisamos do tempo de um dia, pra cada dia que vivemos. Assim,  mataríamos, não só à noite,  a vontade de estar junto.
Ai, amor, essa coisa que alonga as horas da distância e encurta as horas da presença…
Ai, amor,  esse amor que é tanto que não cabe e transborda pelo tempo…

E pela manhã, vejo você dormindo com a beleza tranquila de todos os sonhos. Uma pena te acordar…

Quando a viagem acaba

O melhor de tudo é quando a viagem acaba. Você volta e nosso apartamento deixa de ter o tamanho de mil estádios vazios no inverno. E o silêncio do deserto mais deserto dá lugar à sua voz.
O melhor de tudo é quando a viagem acaba. Você volta e me conta suas venturas e desventuras. E enche a casa de música. E enche  a casa de sorrisos e luz.
O melhor de tudo é quando a viagem acaba. Você volta e enche nosso lar de vida. Tudo fica repleto de amor…

Sol noturno

Você não imagina, o quanto a felicidade é mais feliz ao seu lado. As longas horas do dia, que o dia a dia nos faz separado, não são duras apesar da demora. Pois, quando a noite cai, a sua presença compensa qualquer espera.

Como uma lua, uma estrela. Chega após o entardecer e sai após a manhã ocupar o céu.

Mas, sua luz e calor são maiores que a do satélite prata, que os astros distantes. Traz uma vida mais reluzente que o globo amarelo que faz o mundo girar…

aperto

Você me manda a foto de um lugar bacana. Raridades e cerveja. A saudade apertada. Você quer pegar a estrada logo. Voltar pra casa. Brindamos, à distância, por um retorno breve. A saudade apertada. O coração fica gigante que não cabe nela. Rock bar, outra foto e um “eu te amo”. E eu aqui. E eu aí com você. A saudade apertada, como um sapato bem pequeno, uma calça encolhida. Meu coração quer se desnudar. A estação do metrô. Um cartaz de cinema. “Eu não queria ficar. Voltarei voando pra te encontrar”. A saudade apertada. Ah! Saudade apertada, faltam algumas horas para te desatar…

rima com felicidade

Amor só combina com dor
Pela facilidade da rima
Viver e sofrer
Fazem par
Quando não há o exercício do amar
O amor verdadeiro
Quando vivido
Só é sofrido
Quando o amado está longe
E mesmo assim,
É uma dor diferente
Que aperta o peito da gente
Uma dor, que em singularidade
Ganhou sua própria definição
Em nossa língua, por exceção:
Essa dor se chama saudade…

E chego a me assustar

Como pode?
Tanto amor

Como cabe?

Assim, sem me desfazer em pedaços,
Tanto amor dentro de mim

Como pode?

Esse amor que não pára de crescer

A cada dia
A cada instante

Como pode?

Você,  que é a razão desse amor que só aumenta
Saberia explicar?

Ou talvez,  seja esse o mistério do amor

Que no próprio amor se compreende…

Como pode?

Eu não sei

Eu apenas vivo
Eu apenas sinto
E amo…
Te amo…

Se esta rua fosse minha (e tivesse ciclovia)

Se esta rua, se esta rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava cicloviar
Com o piso, com o piso antiderrapante
Só pro meu, só pro meu amor pedalar

Na cidade, na cidade tem muitos carros
Ônibus, motos e caminhões também
Melhor seria se tivesse ciclovias
Praças, árvores, rede de metrô e trem

Mas na rua, mas na rua tem o trânsito
E mau motorista, motorista a ameaçar
Eu queria, eu queria mais respeito
Pro ciclista, pro ciclista circular

Nesta rua, nesta rua tem um prédio
Que se chama, que se chama imensidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração

Este anjo, este anjo tem uma bike
Que ele usa, que ele usa sem parar
Eu queria, eu queria ir com o anjo
E de bike, e de bike viajar

:)

Feliz Aniversário!

Uma vida plena
A chama é sua
Mas desejo em silêncio
Uma vida plena
E muitos anos
E muitos sonhos
Pra você sonhar

Assopre e peça
O que quiser pedir
Eu desejo em silêncio
Uma vida plena
De saúde e sorrisos
De acordes e cores
Estradas e trilhas
Perfumes e sabores
E vitórias

Uma vida plena
A chama é sua
Mas desejo em silêncio
Uma vida plena
E muitos
Muitos
Muitos anos
De uma vida plena
E feliz

Desejo em silêncio
Com a certeza esperançosa
Que seja, então, realizado
O meu desejo
Feito inteiro de amor…

não tem preço

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No mercado não tinha Pepsi
Trouxe Coca-cola
E bolo pra assar
Também comprei manjericão
Pros gatos, trouxe ração
E mandei descer
Todo o estoque
De vida
Porque nunca é demais
Ter mais vida pra viver

Lavamos a cinza das ruas
A poeira dos escritórios
Com conversa líquida e perfumada
Algumas boas risadas para alvejar
E amaciamos com carinho
Tudo antes de deitar

Fazemos listas pro futuro
Pro que ainda está por chegar
Quantas aventuras vão caber
Nos calendários e mapas?
Vamos organizar o tempo
Fazer o tempo esticar
Pra todo sonho acontecer

Seguimos assim
Cada dia, um dia só
De cada vez
Pode parecer igual
A todos os dias
Mas não há
Dia igual aqui

E se eu for procurar
Sei que não vou encontrar
Não tem em outro lugar
Para dar, emprestar, alugar ou vender
Sei que não vou encontrar
Pois é o que há
Só você é você

Eu vejo constelações na sua pele
Nos seus olhos, tem a lua sobre o mar
Sei do sol no seu sorriso
E a fonte límpida nos seus lábios
Que mergulho quando vem me beijar

E se eu for procurar
Sei que não vou encontrar
Para dar, emprestar, alugar ou vender
Não tem em outro lugar
Pois você é o que há
No meu coração
É só você…

E não me canso de dizer:
Como eu te amo tanto…

Não tenho escrito com tanta frequência. Ando metida em fórmulas, decorebas e estudos descartáveis que se perdem a cada prova. Também tenho usado meu tempo em viver. Viver ocupa toda a agenda com coisas grandes e pequenas, complexas e simples. Todas importantes. Ser feliz atarefa a gente, viu? Até, quando não estamos fazendo absolutamente nada. Viver e ser feliz são funções de tempo integral.
E ainda tenho tempo para devaneios. Acreditar, meio desconfiada, que é possível mudar o mundo. Por mais que minha razão diga que não, minha fé se renova e, sonhadora, sigo idealista…
Falando a verdade: acho que nunca escrevi tanto. Tenho escrito muito, sem palavras, o meu destino…

Mas, aqui há e sempre haverá, poesia…

sobre o ano que acaba e a coragem

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Aqui nestas bandas tropicais não tem neve. O fim de ano se anuncia com nuvens carregadas e temporais de verão. Músicas natalinas em volume ensurdecedor preenchem as lojas, assim como pessoas apressadas comprando bugigangas. Elas não tem tempo. Um tempo que me sobra nesta quase prisão domiciliar à espera de uma encomenda atrasada, que pode chegar a qualquer momento. Deixo-me levar pelo clichê das retrospectivas e faço o meu balanço pessoal. Este foi um ano que aprendi a ter coragem. Pra viver (o que é bem diferente de sobreviver) é preciso ter coragem. Coragem pra vencer medos bobos, como o de transitar em duas rodas lado a lado com carros. Coragem pra abandonar o que não já satisfaz. Coragem pra ser feliz.

Para ser feliz, é preciso ter muita coragem. Não tem coisa mais assustadora que a felicidade. Pra poder vivê-la plenamente é preciso se livrar de temores e se entregar sem hesitações. É como uma névoa quentinha e perfumada que te envolve, a qual você deve respirá-la, sentí-la tranquilamente. E é preciso acompanhar seu ritmo, seu tempo. É uma névoa que está em toda parte e que só percebemos quando fazemos parte dela, para que ela possa fazer parte de nós. Se entregar à felicidade é se entregar ao invisível. Daí, vem o maior ato de coragem. Em um mundo onde todos anseiam o que é palpável, a felicidade, essa coisa abstrata, demanda algo que muitos não conseguem sequer imaginar. E basta a coragem pra ser feliz, para que os outros medos fiquem menores. A vida então fica mais simples, mais plena e ao mesmo tempo mais encantada.

Na minha retrospectiva pessoal, posso dizer que este foi um ano de coragem, felicidade e, por último e mais importante, amor. Ah, amor… Esse amor sentido, dito e, antes de tudo, vivido. Esse amor inexplicável que fez de mim corajosa…